Seu filho recusa comida ou tem aversão a texturas? Entenda o que é o Distúrbio Alimentar Pediátrico (DAP), seus sinais de alerta e quando buscar ajuda profissional.
Uma frase que ouvimos com frequência — e que precisa ser desconstruída — é que “criança que não come é fresca”. A verdade é que essa criança pode estar enfrentando uma dificuldade alimentar.
Dificuldades alimentares na infância são reais, possuem critérios de avaliação, diagnóstico e tratamento. Precisamos falar mais sobre isso para tirar o peso da culpa dos pais e garantir o suporte adequado aos pequenos.
O que dizem os dados?
Estudos ao redor do mundo sugerem que, dependendo da nomenclatura utilizada, 15 a 50% das crianças apresentarão alguma dificuldade em relação à alimentação nos primeiros 10 anos de vida. Estima-se que até metade dessas crianças precisará de tratamento especializado para superar esses desafios.
O Consenso de 2019: Entendendo o DAP
Em 2019, um grupo de especialistas estabeleceu um consenso sobre o termo Distúrbio Alimentar Pediátrico (DAP). Embora o termo venha ganhando espaço, ainda é fundamental divulgar o que ele significa e como se chega a esse diagnóstico.
O DAP funciona como um “guarda-chuva” que engloba diversos sintomas e sinais, mas possui quatro critérios principais para diagnóstico:
- Ingestão oral prejudicada: A criança não consegue se alimentar de forma adequada.
- Inapropriado para a idade: O comportamento não condiz com o estágio de desenvolvimento da criança.
- Duração: O problema persiste por duas semanas ou mais consecutivas.
- Associação a disfunções: Está relacionado a uma ou mais disfunções (médicas, nutricionais, de habilidades de alimentação ou psicossociais).
Sinais de Alerta: Como identificar?
Os sinais de dificuldade alimentar são caracterizados, principalmente, por comportamentos de recusa, aversão e estresse nos momentos de refeição. Eles podem surgir em diferentes fases:
- Em bebês: Um exemplo comum é o bebê que só mama em condições muito específicas (como apenas dormindo).
- Na introdução alimentar: Bebês que iniciam a alimentação sólida mas não evoluem na progressão dos alimentos, não aceitam diferentes texturas ou a transição entre elas.
- Em crianças maiores: Apresentam comportamentos de fuga ou aversão clara na hora de comer.
O momento da refeição deve ser leve
A principal mensagem que queremos deixar é: o momento da refeição é para ser feliz e leve.
Se a hora de comer virou uma batalha na sua casa, se há estresse e dificuldade constante, é importante buscar ajuda profissional para entender o que está acontecendo. O diagnóstico precoce e o tratamento correto podem transformar a relação da criança com a comida.

